quarta-feira, 16 de março de 2011

Nós que aqui estamos por vós esperamos


por Nicolau Sevcenko

Professor de História da Cultura USP-SP




Com base na história e na psicanálise, Marcelo Masagão compôs um complexo mosaico de memórias do século 20. Seu recurso à justaposição de imagens e seqüências fragmentadas, ao invés de uma narrativa contínua e linear, capturou o âmago mesmo desse tempo turbulento. A irrupção nele da cultura moderna indicava precisamente isso: a ruptura de todos os elos com o passado; o imperativo da supremacia tecnológica; a penetração ampla e profunda em todas as dimensões, macro e micro, da matéria, da vida e do universo; o anseio da aceleração, da intensidade, e da conectividade; a abolição dos limites do tempo e do espaço. O que mais marca este momento portanto, é justamente essa multiplicação de energias, a pluralidade das sensações e das experiências, o esfacelamento da consciência e a interação com os mais diversificados contextos.



A história se pulveriza numa miríade de registros e o inconsciente aflora, magnificado pela potência das novas fontes de estimulação sensorial, bem como pelo choque traumático das forças destrutivas deslaçadas sobre a humanidade. Sensível e ponderado foi também o seu modo de jogar com as perspectivas de gentes simples e anônimas, nascidas no torvelinho das grandes transformações, dragadas pelas engrenagens dos gigantescos complexos industriais, as linhas de montagem, o lazer massificado, a publicidade, os apelos do consumo, as alegrias da dança e do corpo liberado, os rigores trágicos das crises e da guerra. Dando nome a essas criaturas minúsculas, ele ao mesmo tempo devolve o quinhão de humanidade que lhes foi negado, como destaca o modo pelo qual a dinâmica social opera através da modulação dos comportamentos, a rotinização do cotidiano e a galvanização das mentes.



Dentre a massa de personagens anônimos ressaltam alguns rostos e nomes famosos: artistas, cientistas, intelectuais, líderes políticos e espirituais. Eles funcionam como chaves que articulam tendências de ampla configuração em diferentes níveis da experiência social e cultural. Catalisando processos em andamento, eles ao mesmo tempo dão voz às minorias silenciosas, como sinalizam alternativas ou consolidam estados latentes de aspiração, conformação, revolta ou ressentimento. A história é tramada nessa imprevisível dialética entre pressões estruturais, decisões individuais, desejos, pavores e projeções subconscientes, tensões sociais e a polifonia de vozes que dão forma e expressão às conjunturas.



A singela fórmula " nós que aqui estamos, por vós esperamos ", gravada no portal do pequeno cemitério de província, é outro dos achados cintilantes deste filme. Por um lado, ela oferece um contraponto tocante às ambições grandiloqüentes do século 20 e de sua modernidade. Evoca a fragilidade e os estreitos limites da condição humana, os quais têm sido sistematicamente ignorados por poderes e ambições que atravessaram o período impondo demandas e sacrifícios exorbitantes. Por outro lado, apresentada no final do filme, a frase ressoa e opera como um feixe que conecta todos os fragmentos dispersos, nos transportando para dentro daquele mundo, como mais uma memória que irá se somar a esse painel dramático, ligada a cada detalhe dele por vínculos de solidariedade e compaixão. Os temas compulsivos e recursivos das músicas de Win Mertens funcionam como o nexo emotivo que, se instila ritmo e vibração às imagens, também nos pões em sintonia com os sonhos profundos que animaram nossos irmãos e irmãs nessa aventura histórica ainda mal entendida e certamente inacabada, mas que obras como essa nos ajudam a vislumbrar e a compreender melhor. Creio que é isso também que eles, lá na sombra discreta do cemitério, esperam de nós.

29 comentários:

Wagner disse...

Século XX, um século de “racionalidade” humana? É complexa a resposta dessa frase. Decerto que o homem evoluiu, e o farto desenvolvimento cientifico demonstra isso. Agora se têm fotografias para “congelar” a paisagem, os sonhos foram [talvez] interpretados, os aviões chegaram a limites que não é possível ver a olho nu… Evoluímos mesmo? A fotografia fez “frear” a demanda de se criar quadros, os sonhos foram interpretados para encontrar a “cura” dos transtornos psíquicos, e os aviões serviram para guerra e levaram algumas bombas atômicas… O homem não dominou a sua “razão”, mas foi ao contrário, tal como o filme de Charles Chaplin aonde ele é “engolido” pelas máquinas – entenda-se “modernidade”.

FÁBIO RODRIGUES disse...

O Filme Nós que aqui estamos, por vós esperamos (1998) de Marcelo Masagão nos possibilita contextualizar a dinâmica dos acontecimentos históricos ocorridos ao longo do século XX. Neste contexto, o filme nos permite uma reflexão de como os fatos históricos que marcaram este século e a suas implicações no cotidiano de milhares de testemunhas oculares da História Contemporânea no âmbito global. Contudo, a síntese fílmica feita por Nicolau Sevcenko sobre a dinâmica do filme, nos possibilita contextualizar com o conteúdo exposto em sala de aula. Pois em consonância, com o filme, o texto de Marc Ferro nos tece um panorama acerca de inúmeras questões que marcaram a História em escala mundial e suas repercussões e desdobramento sócio-político neste início do século XXI. Podemos tomar como exemplo, os constantes conflitos entre o Mundo Árabe e as Potências Ocidentais.

juh disse...

O texto me fez rever o filme ou mesmo filmedocumentário que a cada vez que assisto acabo vendo situações, pessoas, memórias não percebidas que se mistura ficção e realidade numa perspectiva real num tom poético.
De acordo com o autor, as intenções apresentadas no texto não são de mostrar os grandes fatos acontecidos durante o sec. XX, mas sim, partes dos acontecimentos históricos do período, ainda hoje em andamento. Assim a morte e a vida são ou deveriam ser, os verdadeiros protagonistas, mas que durante todo o século foi mostrado como mero figurante diante da importância que a eles são dados. Diante dos acontecimentos, dos sentimentos mostrados que contrapõe modernidade e razão, com os piores sentimentos do "bicho" homem, ao final, como se um feixe de luz salvadora, nos fizessem acreditar ainda na esperança desse mesmo homem.
Ass:JULIANA AGUIAR

adeilton disse...

"Nós que aqui estamos por vós esperamos", filme de Marcelo Masagão que ao ser somado ao texto de Marc Ferro, "O Século XX: explicado aos meus filhos", nos apresenta uma realidade que provavelmente chocaria as pessoas que acreditavam que esse século (XX) seria caracterizado como o do progresso, século esse que daria continuidade ao precedente. Mas o que se viu foram eventos que acabam por envolver grandes potências mundiais em acontecimentos beligerantes como a 1° e 2° grandes guerras mundiais. O interessante do filme é que, conduzindo por uma trilha sonora marcante, o diretor do filme nos mostra a vida de pessoas anônimas, seu cotidiano e como se deram suas mortes, sendo que muitas delas foram causadas por episódios que marcaram o século supracitado. Sem contar que além desses anônimos, consta no filme à presença de personalidades conhecidas no cenário político, artístico, etc.

Carla Reis disse...

Marcado por uma intensa evolução cultural e tecnológica, o século XX, mostra-se como aquele mais contraditório, pois, ao mesmo tempo que trás os benefícios, acarreta o mundo de grandes mazelas, como as Guerras vivenciadas nesse século, que vitimaram milhares de pessoas.
Entretanto, outros campos foram favorecidos, fazendo com que esses cem anos trouxessem também (r)evoluções culturais e tecnológicas que mudariam para sempre a vida humana.Essas (r)evoluções, fizeram com que paradigmas fossem quebrados, a exemplo do comportamento feminino.
"Garotas trocavam o corpete pela máquina de escrever", essa frase mencionada no filme em questão, nos revela quão grandiosa foi essa (r)evolução cultural, principalmente para as mulheres, que aos poucos deixavam de "pilotar" fogão, para serem destaques em áreas importantes, como Marie Curie na Física, Margaret Thatcher na política, entre outras.
Tanto o texto de Marc Ferro e de Sevcenko, quanto o filme, nos faz traçar um panorama desse confuso e fantástico século XX, que sem dúvida deixou um legado de transformações capaz de interferir em todas as esferas da vida humana. Fazendo o homem perceber - ou não - que pode ser "engolido" por suas criações.

Elidiana disse...

O filme "Nós que aqui estamos por vós esperamos” nos mostra através de um jogo de imagens e sons que prendem a atenção do expectador personagens até então anônimos de um século caracterizado pelo progresso. Através desses personagens o filme retrata um século de desenvolvimento tecnológico e científico que caracteriza o período, mas também um período de guerras e mortes. Lendo o texto de Marc Ferro "O Século XX: explicado aos meus filhos" me questionei quanto ao porquê do séc. XX ser tão sangrento e ao mesmo tempo ter homens como Gandhi pregando o pacifismo. Ao fim da análise do filme e do texto a sensação de ter mergulhado em uma piscina de sangue é inevitável.

jacqueline disse...

A História sem dúvida é a vida em movimento, o século XX, como foi mostrado no filme e resumido no texto de Marc Ferro, traz à luz o caminho turbulento percorrido pela Humanidade, mas especificamente no século passado. Foi neste século que se operou grandes transformações em todas as esferas sociais. A ação humana no tempo e no espaço, persogens anônimos com sua vida entrelaçada em acontecimentos de repercursão mundial (as duas grandes Guerras). Porém, o século XX, não foi marcado somente por grandes descobertas, mas por histórias: de amor, sonhos e dores. Muitas destas não foram registradas ou não se tem conhecimento na Historiografia oficial.

pagina impessoal disse...
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Hericly Andrade disse...

O século XX caracteriza-se como um século de dicotomias, onde figuras obtém sua notoriedade pela resolução pacífica de conflitos e que, por outro lado, é um século onde ocorreram duas grandes guerras e uma série de pequenos conflitos armados ao redor do mundo. Avanços significativos na tecnologia, na indústria e eventos que marcaram a humanidade como criação da lâmpada, o homem que chega a lua, aviões, o telefone e a internet são exemplos, utilizados em ampla escala pela população mundial e que adquirem mais importância. Por outro lado somos apresentados a bomba atômica, o uma das mais temidas armas de destruição em massa, e que até hoje torna-se motivo de intervenção em outros países.E por fim luta-se pela igualdade de direitos, pelo fim do preconceito, preceitos de liberdade, igualdade, democracia a todo tempo são pregados, enquanto ditaduras se erguem.

Karen Fraga disse...

O filme, nós que aqui estamos por vos esperamos( Marcelo Masagão,1998),é composto de elementos que demonstra claramente as características do século XX, e junto com o livro de Marc Ferro, "O Século XX: explicado aos meus filhos , completam o Mosaico da composição que forma o diversificado Século XX. Um século marcado pela contradição entre o destaque de personalidades que propagavam a paz e a eclosão de grandes guerras. Um século de riquezas artísticas e de grandes avanços tecnológicos, e tudo isso é exposto em imagens que ilustram claramente cada momento do diversificado século XX, no filme, e em exemplos no livro. Muitos personagens são tirados do anonimato e se misturam a grandes personalidades, para assinalar o variado século passado.

Carlyson T. Santos disse...

A história feita de pequenas historias de pessoas comuns colocada ao lado das estórias de vida de pessoas que influenciaram o século XX, nós transmite a idéia de que qualquer pessoa é um agente da história. Por maior que tenha sido o século XX com suas inovações tecnológicas que mudou a cara do globo, ele não efeito somente por grandes personagens, mais sim por todos que ajudaram erigi esse sistema.

Para que o carro funcione é preciso que exista uma pessoa que aperte um parafuso, pequeno ato quando isolado, mas quando inserido em um contexto maior pode mudar a feição do mundo. Nesse ponto todos se tornam agentes das mudanças seja como protagonista ou personagens secundário, mais que no fim, terá o mesmo destino. " até mesmo as menores das pessoas podem mudar o destino do mundo - SDS"

Igor Diniz disse...
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Igor Diniz disse...

“Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades”, como bem dizia Cazuza, o tempo não para, e como ele a história também não, sabemos que a historia da humanidade sempre teve paginas manchadas por sangue e repleta de transformações, no qual podemos observar no texto de Marc Ferro, "O Século XX: explicado aos meus filhos", juntamente com o texto de Sevcenko que trata de uma analise do filme "Nós que aqui estamos por vós esperamos”, algumas novidades, o que nos proporciona uma série de reflexões sobre os mais variados eventos do século XX, servindo assim de respaldo para podermos compreender as evoluções culturais, tecnológicas, industriais e suas necessidades, onde o sangue não era preciso apenas ser derramado, mas sim provocado das piores formas possíveis.
Vislumbrando no filme o cotidiano de personagens anônimos juntamente com célebres, em uma época onde os avanços é a prova de uma maior racionalidade, mas até que ponto se pode chamar de racional as duas grandes guerras mundiais, os traumas que a segunda causou e os fenômenos que ainda hoje permanecem, mas com novas apropriações, como o terrorismo.
Racionalidade essa que deveria ser mais do que apenas uma operação mental em estabelecer relações entre elementos, mas também no de empregar o raciocínio para resolver problemas com decisões pacificas como Gandhi, Martin Luther Khing e Nelson Mandela, ao resistirem através da não violência a regimes opressivos.
Fatos que mostram que o single “ventos de mudança" de 1990 gravado pela banda alemã Scorpions, envolto a Guerra Fria, o fim da União Soviética e a queda do Muro de Berlim, no álbum Crazy World (Mundo Louco), onde a letra pergunta ”Você já imaginou que poderíamos ser tão próximos, como irmãos? Onde o futuro está no ar, numa noite de glória, onde as crianças de amanhã sonharão, com o vento da mudança”, fazem nos perguntar quando cairá esta noite e quando será esse amanha, onde todos serão lembrados como no filme de Marcelo Masagão, fazendo parte da mesma história, sem distinção de poder.

Natália disse...

Este filme de Marcelo Masagão, lançado ao fim do próprio século XX, convida os espectadores, principalmente os profissionais da história, a se apoderarem desse período considerando suas múltiplas facetas. Fazendo sobressair anônimos, grandes líderes e artistas, Masagão capta as sensibilidades de um mundo no qual "No dia seguinte [...] a cidade já não cheirava a cavalo.". Assim, o filme expõe no seu mosaico polifônico de imagens, como atribui Sevcenko, a industrialização do crime, o fim da inocência, a desilusão do "progresso" e a gradual substituição da esperança pelo medo. Desta forma, as sequencias de cenas envoltas em uma comovente trilha sonora bradam contundentes aos que assistem "decifra-me ou devoro-te.".

Débora disse...

Século XX. Eis um século marcado por transformações e invenções que mudaram o cotidiano de muita gente em todo o mundo. Como foi relatado no filme Nós que aqui estamos por vós esperamos (1998), "a cidade já não mais cheirava a cavalo", pois os automóveis e linhas de trem ocupavam as ruas. "Os botões não eram mais encontrados apenas nas roupas", eles já podiam ser encontados em camêras fotográficas e telefones. Novas atividades surgiram, substituindo outras ou fazendo com que algumas profissões desaparecessem. Tanto o filme de Masagão, quanto a obra de Marc Ferro (O século XX explicado aos meus filhos), mostram que o progresso político e social não acompanharam necessariamente o progresso tecnológico. As duas grandes guerras mundiais, o terrorismo e a Aids,são exemplos de retrocessos diante do "progresso" que decepcionaram não só homens e mulheres do século XX, mas também do século XXI. E assim continuamos acompanhando os avanços tecnológicos e as mudanças, mas com receio das suas consequências.

Historia disse...
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Efraim disse...

O autor pensa no século XX como sendo um depositário cheio de questões a ser analisadas, recorrendo a memórias e nos fazendo enxergar nesse século o desconectar e as rupturas de modo de fazer e ser do passado. Apontando para um momento de conexão de “verdades” embrionárias, Massagão “descomplexibiliza” o passado e institui uma lógica para os acontecimentos, da importância a tecnologia, a questões de vida matéria e universo, fazendo nos pensar na modernidade como sendo capaz de, através dos meios de comunicação, tornar as pessoas mais próximas e um mundo menor.
A história mune-se por tanto da ferramenta do século XX, a imagem que descolada o foco centrado na descrição e deslumbra uma magnífica fonte de estimulação sensorial.
Esse século apresenta-se como iniciador de novas formas de pensar ávida, as pessoas passam a viver uma humanidade mais verdadeira e um dinamismo social. O momento em que surge artistas, cientistas, líderes políticos e religiosos personalidades que dão voz as minorias.
A história passa processar-se através de grupos de classes diversificados. A frase “protagonista” do texto e do filme, “Nós que aqui estamos, por vós esperamos” , serviria com alegoria ao século XX, dando continuidade a história fazendo a retornar aos fatos ou acontecimentos do passado para que aconteça o amadurecimento de idéias humanitariamente social.

Priscilla disse...
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Priscilla disse...

Medo, individualismo, perdas, guerras, violências, tecnologias, poder ... São palavras que expressaram sentimentos, criações e atitudes que fizeram parte direta ou indiretamente do cotidiano de milhares de pessoas anônimas ou não no século XX. Entretanto, hoje, dez anos após o início do século XXI sofremos e vivemos os reflexos do século passado e percebemos que aquelas palavras cotidianas dos nossos antepassados são nossas contemporâneas.

História disse...

Constituindo-se em um verdadeiro poema visual, o filme “Nos que aqui estamos por vos esperamos” de Marcelo Masagão nos convida a conhecer, um outro século XX, distinto daquele onde apenas a memória dos “grandes agentes da historia” é a que é elencada. Trata-se de uma retrospectiva inovadora, tanto em termos de narrativa (haja visto a inexistência de diálogos e de linearidade) quanto que em termos de analise historiográfica, já que ela nos oportuniza uma analise de como que os pequenos agentes da história estiveram, de alguma maneira, integrados aos maiores eventos da época. Alem disso, há de se salientar a importância que certas seqüências imagético-textuais do filme podem desempenhar sobre o espectador, já que elas o levam a questionar as conseqüências que o progresso do referido século gerou e de como que a violência veio a se intensificar e a se sofisticar no mesmo.

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ASS: DIÊGO DOS SANTOS COSTA

Glauber Rodrigues disse...

O século XX nasceu com a esperança de prosperidade e avanço tecnológico. Transformou-se no momento histórico sombrio, devido a ocorrências de guerras e genocídios, ataques terroristas e guerrilhas, etc. Neste século, o homem aprendeu a temer suas próprias criações, ou seja, o homem tem mais medo do que ele produz.

Bruno Lessa disse...

Sob meu ponto de vista, notei que o filme, embora não trate os fatos de maneira linear, busque retratar as várias mazelas que permearam o século passado e a relação intrínseca que esses fatos possuem com as pessoas que vivenciaram tal época. E o que mais me chamou a atenção é que, não importando o grau de relevância tenha a personalidade retratada no filme, todas, sem excessão, sofreram com os diversos eventos trágicos do século XX. O sofrimento e a dor não possui nível social e se torna igual para todos. A história da humanidade é escrita com fatos e os fatos são vivenciados pelas pessoas. Infelizmente, Nós que aqui estamos por vós esperamos, possui uma temática moderna e contextualizada, pois ainda hoje sofremos com guerras, fome, epidemias e outros males, que aparentemente ficaram no século XX. Penso eu que a modernidade tem seus benefícios, como tem seus malefícios. Portanto cabe aqui a frase de Marshal Macluham para salientar o quanto ainda precisamos caminhar: "O homem cria a ferramenta a ferramenta recria o homem".

Mislene Vieira dos Santos disse...
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sara disse...

Percebo o século XX como um período que se destingui particularmente dos demais momentos históricos pelo paradoxo, esta ideia se consolidou ainda mais com o filme "Nós aqui estamos, por vós esperamos", de Marcelo Masagão, e do texto "O século XX: explicado aos meus filhos", de Marc Ferro. O período em questão reune inúmeros avanços tecnológicos e intelectuais que não só marcaram como mudaram concepções e práticas consolidadas há muito na história humana,todavia sempre que volto minha mente a ele penso quase que instantaneamente num século sanguinário. É certo que a história humana está cheia de conflitos e mergulhada em muito sangue, mas a morte no século XX atingiu uma escala até então inimaginada graças as evoluções no campo cinetífico e tecnológico. Parte das evoluções marcantes deste ambíguo momento histórico foram responsaveis por terríveis acontecimentos, que deixam transparecer o quanto a idéia de controle do raciocínio e das criações humanas é frágil, pois o homem pode ser "tragado" por sua tão aspirada modernidade.

Mislene Vieira dos Santos disse...

O Filme de Marcelo Masagão, “Nós que aqui estamos por vós esperamos” (1998), nos faz viajar em diversas histórias, ao resgatar memórias de anônimos, artistas e grandes líderes, que funcionam como partes de um todo e complexo quebra-cabeça chamado Século XX.
Século marcado por contradições, desilusões, violência e avanços que merecem ser (re)analisados, pois parecem não fazer jus a seu significado literal,visto que funcionaram muito mais como um “avanço às avessas”.
Masagão convida os historiadores a agirem de modo a desvendar diversas lacunas ainda abertas, dar vozes a memórias esquecidas nos cemitérios a fim de podermos compreender um pouco mais deste conturbado período.
Um interessante paralelo com este filme é o livro de Marc Ferro “O século XX explicado aos meus filhos”. Ambos captam, com certo grau de sensibilidade, como os homens e mulheres daquele século vibraram com os avanços tecnológicos, os sucessos da medicina, as novas sensações e experiências causadas com a transformação da rotina das cidades, do lazer, do comportamento. Porém foi grande a desilusão ao ver que os belos aviões carregavam bombas, que a química era usada como ferramenta para mortes metódicas, constantes, e que os cemitérios se encheram de milhões de anônimos, que parecem ter perdido a sua condição humana. Estes fenômenos foram constantes e mataram paulatinamente as esperanças de um século próspero. As pessoas tenderam, então, a reconhecer que os grandes progressos técnicos não equivaleriam necessariamente ao progresso social tão desejado.

amanda disse...

Ao criar e aperfeiçoar as tecnologias, com o objetivo incansável de estruturar a sociedade dentro de paradigmas civilizatórios e progressistas, o homem acabou se tornando inimigo de seu próprio reflexo.

thiago_cerqueira disse...

Nós que aqui estamos por vós esperamos assim como o texto debatido de Marc Ferro, nos possibilita uma visão geral do que foi o século XX, marcado por grandes conflitos, grandes tensões, que mesmo com grandes personalidades protagonizando papeis decisivos nesses embates, foi um século também de gente, isso mesmo de gente, comum, simples que envolvida na lógica cruel do seculo, pode ser retrada com grande sagacidade pelo diretor!

Helo disse...

O século XX instiga o anseio do desenvolvimento de novas tecnologias. Porém as limitações necessárias a condição humana,foram ignoradas.Como conseqüência, temos personagens tidos históricos-estes representando uma minoria ou grupo social-eclodindo fatos que desencadeiam conflitos e/ou extermínios. Esta nada mais é do que a característica do próprio século .

Ruan Reis disse...

Vários foram os notáveis do século XX. O século da massificação da cultura, que cria ícones, é também um século de disputa, e desponta líderes. Mas é também tempo de quem faz história sem ser celebrado. De quem faz, aproveita e sofre o passar do tempo. São todos atores. Atores de um tempo marcado pelo reforço das diferenças, mas que têm o mesmo fim, e, portanto, são iguais.

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